Crônicas

Bethoven nos salvará

Nos enredos de futuro catastrófico um dos temas mais recorrentes é a invasão da Terra por alguma raça alienígena ultra avançada. Os aliens chegam enfurecidos e destroem a humanidade e o que chamamos de civilização. Nem sempre por completo porque sobram alguns homo sapiens que se organizam e por fim derrotam o invasor mega tecnologicamente avançado.

Bom, eu penso eventualmente nessa ideia. Não a extinção da raça humana mas a ameaça vinda de algum ponto do espaço. No livro “3001: A última odisséia”, do Arthur C. Clarke, ele trata dessa ideia usando personagens que conhecemos desde “2001: uma odisséia no espaço”. A saber, os astronautas, HAL 9000 e o monolito.

O motivo dos extraterrestres no livro do Clarke para nos exterminar é bem conhecido de todos nós: nossa selvageria e capacidade crescente de eliminarmos uns aos outros. Não vou contar de quem parte a iniciativa de nos varrer do universo nem como termina tudo. Vai lá e lê o livro.

Mas me pego pensando o seguinte: e se um dia nos depararmos com essa situação? Ali, diante da encruzilhada entre a vida e a extinção, o que ou quem nos salvará? Para mim a resposta é simples: Bethoven.

O gênio alemão nos tirará do patíbulo, livrando nossos pescoços selvagens do cutelo alienígena.

Por que? Basta que a missão punitiva extraterrestre escute “Ode a alegria”. Ela é o quarto movimento da Nona Sinfonia e tem um coro que entoa os versos de outro alemão, Friederich Schiler. O poema apela à fraternidade e busca o melhor lado do ser humano.

Dito assim eu não disse nada a respeito dela. Porque ela é indescritivelmente bela. Confesso, diante da meia dúzia de leitores que gentilmente passeiam seus olhos por minhas crônicas, que eu choro quando escuto “Ode a alegria”.

E minhas lágrimas se reuniriam as dos aliens que enxugando os olhos – ou algo de mesma função – diriam entre eles: são selvagens mas se fizeram música assim merecem uma segunda chance.

Não a desperdicemos.

Fernando Neves

Fernando Neves é carioca, nascido em 24 de setembro de 1965, na cidade do Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Mora na cidade de São Paulo, continua Tricolor de Coração, é separado duas vezes e tem filhas gêmeas do segundo casamento. Jornalista profissional, desde os tempos no Colégio Pedro II sempre se interessou pelas letras, seja como leitor ávido seja como aprendiz de escritor. O jornalismo abriu a oportunidade de escrever e praticar mas não foi suficiente para seu desejo de escrever cada vez mais. As opções de forma são a mininovela e o conto. O estilo adotado pelo autor compreende um arco que inclui suspense, humor, conspiração e realismo fantástico. Semanalmente ele exercita sua paixão pela crônica e poesia publicando em seu instagram @fernandonevesescritor.

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